Acho que poucas pessoas gostam de observar o que há ao seu redor. A maioria pensa que isso é falta de introspecção, mas são poucos os que conseguem conciliar o ato de observar a realidade ao seu redor e avaliar a si próprio.
As noites urbanas tem muito a nos ensinar. Eu tenho certeza que todos já se sentiram pensativos, já se sentiram sozinhos, isolados, ao caminhar as 3 da madrugada pelo centro de alguma cidade. A selva de pedra, os miseráveis usando as calçadas como colchão, os rápidos movimentos desconhecidos que se observa pelos becos… Nos fazem pensar em como a vida é sempre uma surpresa. Olhar para o céu noturno, embotado pelas luzes da louca cidade, é uma sensação única.
Em cada esquina, em cada prédio, em cada grupo de mendigos, há dezenas ou centenas de histórias, dezenas de contos que dariam filmes, livros, novelas. A imposição de uma idéia ou conceito sempre estimula o seu oposto. E a solidão das grandes cidades estimula o sentimento de “querer estar”. Alguns chamam isso de carência. Eu chamo de sentido. É só reparar: os mendigos, apesar das enormes diferenças entre si e dos conflitos inerentes, quase sempre se juntam em grupos, onde formam um comunidade. Quanto mais as pessoas se isolam em seus apartamentos, mais acessam os facebooks e twitters da vida em busca de atenção e “amizades”.
E também, na maioria das grandes cidades, o crime é uma coisa comum. Não quero que pense que defendo as práticas criminosas frequentes em nosso meio, mas sei que sem elas não teríamos o desejo de paz, da mesma forma que sem o holocausto dos nazistas, não teríamos todos esses conceitos de direitos humanos e proteção à minorias. Nas grandes cidades é mais fácil de conhecer o Ser Humano sem máscaras ou morais dominantes. Conhecemos sua face suja, sua face desumana, seu lado cruel. E não há nada mais aterrador e perfeito do que ver o Ser Humano sem máscaras.
Então, da próxima vez que vocês estiver caminhando a noite, além das preocupações com segurança e com seu caminho até casa, tente observar. Parece idiota, mas é até um exercício interessante… Faz você ver o sentido de muitas coisas.
It’s a late goodbye…

Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se. E que companhia nem sempre significa segurança. Começa a aprender que beijos não são contratos e que presentes não são promessas.